Brasil

004 - O Martírio do Grande Guaxinim Vermelho

No dia em que presenciei o martírio do grande Guaxinim Vermelho, em TERRAZZOO, por seus pares e “vizinhos” não encontrei um sábio sabiá para conversar. Senti saudades do meu amigo sabiá Chon Chin Chuan

– Que falta faz uma sábio na hora dos tumultos da loucura.

– Que falta faz o amigo sino-sabiá nessas horas.

Pensei eu! Aí, mandei uma missiva em sabiés para o nobre ser turdus rufiventris perguntando sobre os últimos acontecimentos.

Prezado SÁBIO SABIÁ –

Escrevi Eu. Com muita vontade de obter resposta.

     – Por GENTILEZA mande a sua visão sobre o Martírio do líder o Guaxinim Vermelho.

Perguntei (de forma direta).

A resposta demorou duas luas pequenas. Mas, ele respondeu.

Prezado amigo peregrino. Escreveu Ele.

     –  Estive muito atarefado nestes dias.

     – Por isto, demorei em responder.

     – Mais segue o penso sobre linchamentos coletivos.

O fenômeno do linchamento coletivo é estudado por filósofos e sociólogos desde as primeiras luas. O mais famoso especialista na interpretação dessa atitude coletiva, hoje, é Renê GirardGirard é certamente o mais conhecido a defender uma longa tese sobre o assunto. O Bode Expiatório (livro), a sua grande tese está publicada e tem grande aceitação no mundo acadêmico. A sua tese ajuda a explicar o linchamento do Grande Cordeiro.

O Bode Expiatório (livro) fala sobre a martirização do ser humano. O livro afirma que, de vez em quando, a sociedade “para purificar-se” precisar encontrar alguém mais imundo. E, aí, acontece o CERIMONIAL PARA MATAR o BODE EXPIATÓRIO.  Na mente coletiva, é preciso matar o “imundo” para ficar limpo. E, assim, através da fofoca coletiva acontece a preparação para o cerimonial de expiação.

No caso do linchamento do Grande Cordeiro ouve o aflorar do fenômeno. Os interesses pessoais, problemas relacionais, egos inflamados, vaidades expostas, legalismo ilegais e muitos outros sentimentos e atitudes marcam esses momentos. Estes sentimentos prepararam o ritual de expiação.

No meu entendimento, pouca coisa vai melhorar. É bom lembrar que quem com “ferro fere com ferro será ferido”. É importante saber que com a medida que se julga com a mesma serão muitos julgados.  É o que ensinavam os antigos sabiás que viveram antes dos meus pais. Para concluir, pequeno peregrino, lembre-se que os grandes movimentos são aqueles que lutam para melhorar a vida das pessoas e não para destruí-las.

– Sábio! O sabiá Chon Chin Chuan.

Pensei eu. Na minha reflexão solitária.

– Antes de participarmos de linchamentos públicos deveríamos conversar com o sabiá.

Pensei outra vez.

Entendi um pouco mais sobre o que acontece nos linchamentos públicos. O linchamento do outro não é o apenas o linchamento de um “semelhante expiatório” é um “ato respiratório” onde pensamos que estamos mostrando que somos melhores e, na verdade, apenas, afirmamos o que verdadeiramente somos matando o outro.

Na verdade, matar o outro faz bem.

Porque pensamos que estamos matando a nós mesmos e que depois da morte do “bode Expiatória” seremos melhores.

Mas não é verdade porque nós somos o que somos.

Então, o martírio do “bode expiatório” é apenas um ato respiratório.

Depois, tudo volta a ser, exatamente como era antes.