Moda

De um despretensioso projeto das aulas de arte à marca de roupas femininas. Foi assim que nasceu a parceria entre a Escola Estadual Estevão Pinto, instalada no complexo penitenciário feminino de mesmo nome, em Belo Horizonte, e a confecção Liberte-se. Para comemorar e divulgar os novos trabalhos, os parceiros realizaram uma exposição dos 15 quadros produzidos pelas presas em sala de aula, seguida de um desfile com algumas peças da recém lançada Liberteees, na tarde dessa segunda-feira (14/5), na unidade prisional.Para a diretora-geral do complexo, Juliana Camargos Ferreira, a unidade prisional é a que mais ganha com essa junção. “Estou maravilhada, foi além das minhas expectativas. Esta é uma parceria que deu muito certo. Mostramos que todos trabalhando juntos é uma força maior no processo de ressocialização das nossas detentas. Educação e trabalho são muito importantes para ajudar elas no cumprimento da pena e incentivar mudanças de vida”.
Professor há 32 anos – 14 dedicados à escola do complexo – Eder Batista da Rocha, que também é artista plástico, tem brilho nos olhos ao falar de seu trabalho. Além da aula de artes, ainda lecionou sobre teatro e artesanato para as mulheres detidas na unidade prisional. Afirma que sua maior preocupação dentro de sala é ensinar a elas alguma profissão para que elas possam se manter.A marca de roupa da confecção Liberte-se, que já funcionava na unidade desde 2013, nasceu no ano passado na primeira exposição das aulas de artes. Marcella Mafra, uma das proprietárias, ficou encantada quando viu os quadros e teve a ideia de transformar aqueles desenhos em estampas, nascendo assim a Libertees.
A ideia inicial era que a Libertees produzisse t-shirts (por isso o nome: junção da palavra ‘libertar’ com a sigla final ‘ts’). O projeto foi crescendo e a marca foi convidada a participar do Ready To Go do Minas Trend. A primeira coleção “Vida” nasceu com 26 dias de gestação.
Onze peças da antiga e da nova coleção foram selecionadas para o desfile, que teve como modelos as alunas da escola do complexo. O evento era um desejo grande da empresária, que não escondeu a alegria com o resultado.
“Estou super feliz, realizei um pedacinho do meu sonho. Foi mais do que eu esperava, foi emocionante. Vários parceiros se uniram e a felicidade foi vista no rosto de todas as presas que contribuíram com isso. Para mim é um fechamento de uma abertura, de novas coisas que virão”.