Giro Rural

Responsável por uma significativa fatia de produtividade e empregabilidade do agronegócio brasileiro, a Horticultura vem apresentando, apesar da crise, índices positivos na cadeia produtiva de vários produtos, mas enfrenta desafios que vão do plantio à mesa do consumidor. Ainda são altos os índices de perda, por exemplo, no transporte e armazenamento das frutas e hortaliças. E é para trazer possíveis soluções para esses e outros problemas e apresentar as novidades que devem aumentar produtividade e qualidade da produção que 420 empresas do Brasil e do Exterior participam da 25ª HORTITEC – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas. A edição comemorativa dos 25 anos do evento acontece de 20 a 22 de junho, no Parque da Expoflora, em Holambra (SP).

A horticultura tem peso fundamental no desenvolvimento da economia do País e atinge em larga escala grande parte da população, pois envolve diretamente alimentos do dia a dia dos brasileiros, e o potencial de crescimento é imenso, além de necessário para que o Brasil alcance os índices de consumo compatíveis aos dos países desenvolvidos. Na fruticultura, o Brasil é o terceiro maior produtor do mundo, com uma produção anual de 44 milhões de toneladas, perdendo apenas para a China e a Índia. Beneficiado pelo clima, o setor apresenta um calendário de safra que lhe garante movimentação durante o ano todo.

Mesmo só perdendo para a China e a Índia no ranking de produção de frutas, o país exporta menos de 2,5% do que produz. Para dar uma dimensão comparativa deste dado, o Peru tem um território de 1.285 milhão de quilômetros quadrados, 7 vezes menor que o Brasil, mas exporta atualmente quase 4 vezes mais, gerando U$ 2,4 bilhões em receita. Outro vizinho, o Chile, com um território um pouco maior que a Bahia exporta U$ 4 bilhões em frutas. No Brasil, as exportações de frutas geram apenas U$ 700 milhões. Outro ponto de igual relevância é que a fruticultura é cultivada e gera empregos em áreas onde outras atividades de produção de alimentos não seriam viáveis economicamente, como na região do semiárido brasileiro, apontando uma clara oportunidade de expansão.

Na cadeia de hortaliças, segundo estudo realizado pela Confederação da Agricultura e da Pecuária (CNA), dos US$ 20 bilhões movimentados pelo segmento em 2016, pouco mais da metade ficou com o produtor. 45% deste total são destinados à distribuição e varejo (32%), principalmente em função do custo e das perdas com transporte e armazenamento dentro e fora das fazendas. “Por serem produtos perecíveis, a logística é muito especializada e é fundamental que os produtores conheçam as melhores soluções. É isso que pretendemos mostrar na Hortitec”, enfatiza Renato Opitz, coordenador do evento que já se consagrou como o maior encontro de Horticultura da América Latina.

Atualmente, a produção de hortaliças é contemplada pelos planos voltados à agricultura familiar, dada sua distribuição em pequenas propriedades, com geração de 2,2 milhões de empregos diretos. Segundo a CNA, entre os desafios propostos para o setor está o combate aos crescentes custos de produção através da adoção de boas práticas e do aumento da produtividade dos recursos empregados. Otimizar o uso dos recursos produtivos através do planejamento sistemático, da coordenação entre os agentes da cadeia e da intensificação do uso de tecnologias, permitem “fazer mais com menos”.

Na contramão da crise, a floricultura vive um momento de crescimento interno de mercado que vem se mantendo há anos. No ano passado, o consumo de flores teve crescimento de 15% em algumas regiões do país, como o estado de São Paulo. Na média nacional, a evolução foi de 8%, atingindo uma movimentação em torno de R$ 7,3 bilhões. Os consumidores de São Paulo gastam, em média, R$ 50 per capita ano com flores. A média geral no país é de R$ 35, segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor).

A edição 2018 da Hortitec vai ocupar 30 mil metros quadrados de área e tem a expectativa de receber 30 mil visitantes. O evento tem o perfil dos visitantes como principal diferencial, visto que é realizado essencialmente para produtores rurais e demais profissionais da cadeia de Horticultura. Isso promove um grande encontro de negócios, o qual deve movimentar este ano cerca de R$ 100 milhões, a exemplo do que aconteceu em 2017.