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Os fenícios são conhecidos desde os tempos imemoriais pelas habilidades comerciais. Os Siros e Libaneses são os verdadeiros herdeiros desta arte. Eles são os grandes herdeiros da arte de negociar – Comprar – Vender – Ganhar. Muitos se tornaram notórios pelas fortunas que adquiriram no mundo comercial, na área das finanças, na arte de construir. No arquivo cultural deste povo, de cultura comercial milenar, existem muitas histórias bonitas. Uma das mais bonitas de Brasília é a história de Ramez Lutfala Farah.

A História deste comerciante Libanês, nato, e, certamente, mais brasileiro do que muitos que aqui nasceram, começa no longínquo Norte do Líbano. Na pequenina Vila de Minyara ( Akkar ) na fronteira norte com a Síria, no pós II Guerra Mundial, com a incrível morte de um jumento causada por um acidente no qual o animal teve que ser sacrificado. O menino órfão de mãe, criado pelo pai e pelas irmãs sonhou em ser bem sucedido no Brasil. E, assim aconteceu.

Para o Brasil, ele veio com a ajuda dos parentes e, após uma longa viagem de navio, chegou ao porto de Santos, SP. Na bagagem U$ 200 dólares ( cerca de 800 reais ). Mas, como a maior riqueza de um homem não é o que ele tem em depósito mas o que carrega na alma, a alma do jovem comerciante estava repleta de esperança. No Porto de Santos, não conhecendo ninguém e não tendo parentes para ajudá-lo, sem rumo, começou a cantar em árabe, e, certamente, cantava com a alma pedindo providência. No final do dia, um patrício (alguém que entendeu a sua música) o ajudou a encontrar uma pensão na cidade de Santos. Onde, na terra dos sonhos, passou a sua primeira noite no Brasil.

Após muitos encontros e desencontros, Ramez conseguiu um comerciante, por beneplácito da vida, Judeu, atacadista que lhe “patrocinou” o começo da vida no comércio – venda de porta em porta – lhe vendendo as mercadorias para receber depois. Deu certo. O vendedor campeão saiu da incubadora e começou a mascatear. Vendendo tudo o que comprou no primeiro dia, após uma jornada de trabalho, que rompeu a escuridão da noite. Foi o começo.

Depois,  alojado, recebeu a orientação do pai de que uma vizinha a quem conhecia estava no Brasil em Ceres (GO). Idealizou, na vizinha de cidade, a esposa ideal para uma longa jornada de trabalho e conquistas. Foi a ceres buscar a esposa. Encontrou, casou-se com ela, e, conheceu Anápolis. Visionário percebeu que o seu futuro não estava na grande metrópole paulista mas no centro atacadista goiano ao lado de muitos dos seus patrícios. Após cinco anos em São Paulo, mudou-se para Anápolis. No meio caminhão, a mudança de um jovem recém-casado e mercadorias para começar um negócio na cidade que haveria de chamar de sua até a morte.

De Anápolis, viu em Brasília uma grande oportunidade. Mudou-se para Brasília onde já tinha vários negócios para enriquecer a galeria dos pioneiros. Em Brasília fez história.

No dia 4 de Maio de 2019, o senhor Ramez partiu para viver a eternidade. Deixou filhos e netos. Mas, muito mais do que isto, deixou uma história que merece ser contada geração após geração. Completou a carreira, guardou a fé. A esposa, companheira por mais de 60 anos, os filhos, os netos, os amigos e amigos da família prestaram as últimas homenagens e aprenderam um pouco mais sobre a vida.

No Campo da Esperança foi semeado o corpo, a semente, para que os frutos possam brotar da grande árvore que vai nascer da boa semente ali semeada. Esta é uma breve história da grande história de Ramez Lutfala Farah. Ali repousou um homem. Mas, ali, nasceu um herói.