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Enquanto aguardava um vôo na sala de espera, assisti uma reportagem da BBC com uma belíssima fotografia. No decorrer de imagens excepcionais, a reportagem advertia de forma enfática que os humanos ameaçam um milhão de espécies com a sua extinção. Fui me informar e reparei que para estimar um milhão de extinções é supor que a taxa de extinção será acelerada até 10.000 vezes mais do que a taxa natural. Interessante é que isto não é novidade.

Em 1970, Dillon Ripley, da Smithsonian Institution, previu que em 25 anos, algo entre 75 e 80% de todas as espécies de animais vivos seriam extintas. Em 1981, o ecologista Paul Ehrlich previu que 50% de todas as espécies estariam extintas em 2005. Mas a reportagem da BBC martelava este número de um milhão ao som da melodia inesquecível do canto da baleia jubarte.

Acabei descobrindo que em 1960 as baleias jubartes foram listadas como “ameaçadas”. Já em 1996, com um crescimento vertiginoso da população, elas foram rebaixadas para “vulneráveis”. Finalmente, em 2008, novamente rebaixados para “menos preocupante” e hoje estima-se uma população maior do que 80.000, uma densidade igual aos níveis pré-exploração da espécie. A conclusão é a medida que os países ficam mais ricos pela adesão à economia livre, eles geralmente invertem o desmatamento e diminuem a perda de espécies e até revertem o declínio de algumas espécies.

Prosperidade é a solução e não o problema. Nada mata a natureza mais rápido do que tentar viver dela. Quando um africano fica rico o suficiente para comprar comida em uma loja, ele para de procurar carne de caça na floresta. Isto é uma vitória para a vida selvagem. Ele também passa a comprar gás de cozinha ao invés de cortar madeira na floresta.
Este florescimento humano nos torna capazes de tirar um número cada vez maior dessas espécies da lista de extinção.

Esse é um problema específico que pode ser enfrentado e revertido, mas será preciso tecnologia, ciência e dinheiro, não este alarmismo pregando um retorno a um mundo primitivo como sugerido pela BBC. Felizmente a BBC, Ripley e Ehrlich estavam errados. Cerca de 1,4% das espécies de aves e mamíferos foram extintas até agora em vários séculos. E mais, isto ocorre por que elas geralmente surgem e morrem por um motivo, a permanente adaptação da natureza às mudanças naturais nas condições de vida. Antonio Cabrera é Ex-Ministro da Agricultura | Empresário | Cristão.