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“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.” Profeta Isaías 5 | 8

A diferença entre o possível e o impossível está em Deus. Arun Sok Nhep tinha 17 anos, quando, servindo no exercito, subiu ao poder no Camboja o sanguinário Pol Pot e o seu cruel regime revolucionário comunista chamado Khmer Rouge.  Enquanto Arun foi extraditado para o trabalho forçado nos campos de arroz e o Khmer assassinava brutalmente grande parte da população do Camboja, intelectuais e acadêmicos do Ocidente louvavam as virtudes de Pol Pot, como Noam Chomsky que ridicularizava os relatos de massacre.

Depois de anos de trabalho forçado, Arun consegue fugir para o Vietnã, onde encontra uma interminável guerra e é capturado, passando vários anos na prisão. Após anos como prisioneiro, consegue fugir e escapa para o Laos. Lá, em uma sequencia cruel de episódios, Arun também é capturado e enviado para os campos de concentração de trabalho forçado. Mas, repetindo sua sina, foge mais uma vez e consegue asilo na Embaixada Francesa, onde consegue visto de refugiado e é enviado para Paris.

Quando chega na França, Arun assume um compromisso de nunca mais retornar àqueles países. Mas eu posso resumir a vida de Arun em um dito de Guimarães Rosa: “Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.” Pois bem. Arun se converte ao cristianismo e se torna pastor. Sabe qual é a função de Arun hoje?

Ele é o responsável pelo trabalho das Sociedades Bíblicas do Camboja, Vietnã e Laos. Sim, sua missão é levar conforto e esperança através da Bíblia naquelas terras que tanto o maltrataram. Deus não cessou os seus milagres. O que tem acontecido é que eu e você estamos perdendo a capacidade de percebê-los. Para tanto, basta olhar para a vida de Arun.

Antônio Cabrera é Ex-Ministro da Fazenda, empresário, cristão.